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16h57

LIMITES DA PRODUTIVIDADE DA SOJA

Com o aumento da população mundial e a maior demanda por alimentos, o aumento da produtividade tem sido a tônica das pesquisas cientificas e o anseio dos produtores. Durante o VI Congresso Brasileiro de Soja, os limites para a produtividade da oleaginosa foram discutidos em um painel com a participação de pesquisadores norte-americanos e brasileiros.

Para o pesquisador da Universidade da Carolina do Norte, Thomas Sinclair, o limite da produtividade está próximo e aquém daquele anunciado por algumas empresas que atuam no complexo soja. Segundo ele, o céu é o grande limitante, uma vez que dele dependem três fatores fundamentais: radiação solar, nitrogênio e agua. Por sua vez, o pesquisador da Universidade de Arkansas, Larry Purcell, concorda que estes sejam os limitantes, porém ponderá que há interação entre os nutrientes e, na medida em que se aumenta o rendimento da cultura, maior é esta interação. Com isso, é possível atingir produtividades bem maiores do que a media obtida atualmente no mundo.

Como exemplo, Purcell apresenta o caso de um produtor norte – americano que chega a obter produtividade de dez toneladas por hectares, enquanto a média do país é de 2,9 ton/ha e a do Brasil é de 3,0 ton/ha. Para obter este resultado, ele utiliza superdoses de insumos, em área irrigada, e faz a gestão da luminosidade, de modo a aproveitar o período de maior intensidade solar no período de florescimento das plantas. De acordo com o pesquisador, como neste exemplo há abundancia de insumos, a luminosidade se configura com o limitante de produtividade.

Apesar dos números surpreendentes obtidos pelo produtor norte – americano, o pesquisador Thomas Sinclair alerta para o fato de este não poder ser um exemplo para os demais produtores, uma vez que as condições de produção e a utilização de insumos fogem da realidade das lavouras comerciais. “Não podemos utilizar estes exemplos para orientação e sim para levantamento de demandas para a pesquisa”, alerta.

ALTAS PRODUTIVIDADES NO BRASIL
No Brasil, por sua vez, altas produtividades vêm sendo buscadas, porém de maneira a torná-las economicamente viáveis. Um dos debatedores do painel, o Presidente do Comitê Estratégico da Soja Brasil (CESB), Orlando Martins, apresentou resultados obtidos por produtores participantes do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, que vem sendo realizado há três anos agrícolas. Em alguns casos, a produtividade chegou a 108 sacas por hectares, sendo que na safra 2011/2012 a média dos participantes ficou em 95,5.

Porém, Martins destaca que, para haver viabilidade econômica, a obtenção destas produtividades elevadas só tem sido possível em solo de alta fertilidade.

Apesar de os resultados provarem ser possível uma grande elevação na produtividade média de soja no Brasil, o professor da ESALQ/USP, Gil Miguel de Souza Câmara, ressalta o fato de as cultivares mais plantadas no país terem características fisiológicas diferentes daquelas utilizadas para obter super-rendimento. Para que seja possível o cultivo da segunda safra (milho safrinha), os produtores buscam, cada vez mais, a precocidade dos materiais. Além disso – pondera o docente -, a época de semeadura é cada vez mais antecipada, deixando-se de se plantar no período ideal, que é aquele em que o melhor se aproveita a incidência solar no solstício de verão para a melhor floração das plantas.

“Nos Brasil, hoje se trabalha com período de maturação de 21 dias, bem menor do que há dez anos; inclusive há registros de trabalhos com cultivares com 50 dias de manutenção. Atualmente, os períodos são muitos menores em todas as fases de desenvolvimento da planta, o que inviabiliza índices de produtividade elevados como o obtido pelo produtor norte – americano”, afirma Gil Miguel.
Fonte: Revista Seed News

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