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15h30

La Niña: Meteorologistas ainda seguem divergindo sobre sua intensidade

Que o La Niña será um componente a mais da nova safra de verão do Brasil isso já é certo. Qual será a intensidade desse fenômeno, porém, ainda é uma questão de debate entre os especialistas, bem como seus impactos para a agricultura brasileira. Os percentuais de probabilidade divulgados nos últimos dias têm se mostrado diferentes entre agências climáticas dos EUA, Japão e Austrália, além dos meteorologistas brasileiros. 

Nesta sexta-feira, a Agência Meteorológica do Japão informou que o La Niña deverá continuar atuando durante todo o período do verão no hemisfério Sul (inverno no hemisfério Norte) e que tem 70% de chances de ocorrer efetivamente. O anúncio vem um dia depois do Climate Prediction Center (CPC) do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA indicar uma queda em sua projeção para 40%, contra os 75% estimados em junho, de 55 a 60% em julho. "A superfície dos oceanos continua se resfriando, porém, em um ritmo mais lento", informou o centro norte-americano. Sua próxima atualização será feita em 13 de outubro.  

Para o Instituto de Meteorologia da Austrália, a possibilidade de um La Niña tardio e de fraca intensidade continua presente. De acordo com suas últimas informações sobre a condição atual, informadas em 30 de agosto, o período é de neutralidade climática, porém, com partes do Pacífico Equatorial mais frias do que o comum para esta época do ano. As atualizações do órgão australiano saem no dia 13 de setembro. 

"Três modelos pesquisados indicam que o La Niña a se desenvolver deverá acontecer mais tarde e se manter durante a primavera do hemisfério Sul ou durante o verão. Uma fenômeno mais tardio como este não seria usual, mas também não é sem precedentes. Se ele realmente acontecer, será bem menos intenso do que o registrado entre 2010 e 2012", informou o instituto australiano em seu último boletim. 

 

Como explicou o meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo, realmente este deverá ser um La Niña de fraca intensidade, mas conta com todas as características para que realmente aconteça. "Precisamos ter, pelo menos, três meses de anomalia de 0,5ºC negativo (nas águas de superfície dos oceanos), e já estamos há mais de dois abaixo disso", diz. "Portanto, o produtor rural brasileiro ainda tem que manter sua cautela", completa. 

O meteorologista explica que, nesse quadro, o planejamento dos agricultores que neste momento estão se preparando para dar início ao plantio da nova safra de verão deve ser ainda mais detalhado, com um escalonamento maior dos trabalhos de campo, de forma a aproveitar de forma adequada os próximos momentos de chuva. 

"Será um início de safra muito irregular", alerta Nascimento. Na segunda quinzena de setembro, as precipitações já deverão a ficar mais escassas e pontuais e esse padrão pode se estender até a primeira metade de outubro, com uma condição melhor somente na segunda quinzena do próximo mês", explica. 

Dessa forma, o especialista faz ainda um outro alerta: "o produtor não pode se impressionar com as primeiras chuvas". As atuais condições do solo em regiões onde a seca causada pelo El Niño são ainda muito ruins, registram déficit hídrico e demoram a se reestabelecer. No entanto, Nascimento acredita que as condições este ano, no geral, devem ser bem melhores do que as do ano passado para a agricultura nacional. 

Impactos para a agricultura

Caso essa menor intensidade prevista pelo serviço norte-americano de clima se confirmar, deverá ser bem-vinda para o Brasil e para a Argentina, de acordo com especialistas internacionais. "Isso irá, certamente, favorecer a América do Sul, já que os produtores poderão ver condições mais úmidas por lá", diz o agrometeorologista sênior do instituto particular de meteorologia MDA Information Systems, Donald Keeney, em entrevista à agência de notícias Reuters Internacional. 

Entretanto, caso as condições sejam de neutralidade climática, podem comprometer os produtores de algodão da Índia, que é o maior produtor mundial da fibra. Afinal, o La Niña tende a incentivar as chuvas de monções e, ao contrário disso, as precipitações deverão ficar menos intensas. 

Países não só como a Índia, mas também a Indonésia e a Tailândia poderiam receber, no início efetivo do fênomeno, mais chuvas, as quais beneficiariam culturas como a palma e a cana de açúcar, que vêm sofrendo com precipitações abaixo da média já há dois anos por conta do La Niña. 

No Brasil

Sul - Ainda com informações da Climatempo, as chuvas para o Sul do Brasil não deverão ser tão frequentes e a tendência é de que oscilem perto da normalidade. Para os produtores, isso deve ser bom, uma vez que o excesso de umidade no último ano causou alguns transtornos. 

Sudeste e Centro-Oeste - Para o Sudeste e o Centro-Oeste as expectativas também são de que as chuvas voltem a se normalizar, porém, um pouco mais tarde. Em anos de La Niña, ainda de acordo com a Climatempo, s precipitações demoram um pouco mais para chegar e costumam se estender mais a partir do momento em que se estabelecem. É o deslocamento do período úmido. Setembro deverá se concluir mais seco, outubro com algumas chuvas da metade para o final e, em novembro, precipitações mais regulares são esperadas. 

Nordeste - Em 2017, o Nordeste deverá contar com condições muito melhores do que as observadas nos últimos anos, em que as chuvas foram bastante raras. As ocorrências de precipitações deverão ser mais regulares, cenário que já não é observado desde 2012.  

 

Fonte: Notícias Agrícolas

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