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14h23

Baixa rotação de culturas diminui produção de palha nas lavouras

Dos mais de 7 milhões de hectares cultivados no Rio Grande do Sul na safra de verão, apenas 2,5 milhões serão ocupados por outras culturas agora no inverno. O restante, quase 5 milhões de hectares, receberá pastagem ou ficará sem cultivo (pousio) neste período.

Quando a nova safra entrar, a área de soja será cinco vezes maior do que a de milho. A baixa rotação de culturas diminui a produção de palha. Esse processo é um dos inimigos da conservação do solo. Houve uma ingrata constatação para quem achava que a consolidação do plantio direto resolveria boa parte dos problemas de manejo.

– O êxito do sistema de plantio direto depende da produção anual de oito a 12 toneladas de palha e raiz. E isso só se consegue com rotação e sucessão de culturas – explica José Eloir Denardin, pesquisador da Embrapa Trigo.

O modelo de monocultura, soja no verão e pousio no inverno, não é suficiente para produzir nem perto de oito toneladas de palha e raiz por ano, exemplifica o pesquisador. O resultado da escassez de matéria orgânica é a tão temida compactação do solo – quando a terra diminui a capacidade de infiltração e retenção de água.

– E não estamos falando de um problema agronômico apenas. O solo tem funções que vão além da produção agrícola, funções sociais e ambientais – alerta Jean Minella, professor do Departamento de Solos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Minella refere-se à dinâmica da água, que impacta no abastecimento à população e na geração de energia. Solos compactados (duros e com poros fechados) têm dificuldade para infiltrar e reter água da chuva, que acaba escoando para rios e lagos. A água que vai embora, arrastando junto matéria orgânica, corretivos e produtos químicos, polui o ambiente.

– Além disso, não nutre as plantas e não abastece o lençol freático, que alimenta poços artesianos – acrescenta Minella.

A compactação do solo é atribuída também ao tráfego intenso de máquinas e equipamentos na lavoura – cada vez mais presentes no modelo da agricultura moderna. Após evoluir de um sistema arcaico de aração e gradagem, a partir de meados da década de 1980, a agricultura moderna recorre a técnicas antigas para conservação do solo – como os terraços.

A barreira volta à cena em lavouras gaúchas para disciplinar o movimento das águas e controlar as enxurradas – frequentes em anos de fenômeno El Niño. No novo modelo, explica o pesquisador da Embrapa, o espaçamento entre os terraços é quatro vezes maior do que no passado.

– Com as facilidades trazidas pela agricultura moderna, como os transgênicos a partir dos anos 2000, o produtor acabou deixando de lado princípios básicos de conservação do solo – lamenta Denardin, citando a "ilusão" de deixar a lavoura no inverno apenas com azevém e aveia que germinam por conta (guachas).

Fonte: Zero Hora (adaptado)
Foto: Diogo Zanatta

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